terça-feira, 25 de setembro de 2018

Carta Pastoral D. Manuel Felício

DIOCESE DA GUARDA
Carta Pastoral sobre a receção da Assembleia Diocesana
Guiados pelo Espírito Santo, Igreja em renovação

Introdução
Preparámos a nossa assembleia diocesana durante 3 anos. Convocámos duzentos e vinte delegados para as suas três sessões em que foram aprovadas 89 proposições. Dedicámos o ano pastoral 2017-2018 a um primeiro esforço  de receção da mesma assembleia nas nossas comunidades, durante o qual tive oportunidade de fazer um encontro com cada um dos nossos párocos sobre o assunto e levei comigo para as várias comunidades, sobretudo com a celebração da Eucaristia, duas preocupações – a primeira foram as vocações sacerdotais e a santificação dos sacerdotes; a segunda foi uma prece especial  pela receção da assembleia nas nossas comunidades.
A culminar estes contactos feitos ao longo do ano, em que as 89 proposições da nossa assembleia estiveram presentes, embora de formas variadas,  apresenta-se agora a prometida carta pastoral, com algumas opções para o nosso trabalho nos próximos tempos.
I – Critério pastoral
Conduzidos pelo Espírito Santo, procuraremos que a vontade de Jesus Cristo sobre a Sua Igreja seja o critério da nossa caminhada de renovação pessoal e das nossas comunidades.
Vamos considerar, por isso, primeiro a realidade do Espírito Santo, depois alguns traços fundamentais da vontade de Cristo sobre a Sua Igreja e a necessidade de educar para a aplicação deste critério.
1.    O Espírito Santo fonte da  desejada renovação das nossas comunidades

Logo no início desta carta, desejo lembrar o que diz à Igreja o Papa Francisco, na exortação apostólica Evangelii Gaudium (Ev. G.),  sobre a renovação eclesial ina­diável, nos seguintes termos: “Sonho com uma opção missionária capaz   de trans­for­­mar tudo, para que os costumes , os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal capaz de propiciar mais a evangelização do mundo atual do que a auto-preservação” (nº27).
Para conseguirmos dar cumprimento a este sonho do Papa Francisco, aplicando as proposições da nossa assembleia, precisamos de fazer algumas opções, não muitas, que passem a marcar o ritmo do nosso trabalho pastoral, nos próximos tempos. E desejamos fazer essas opções, deixando-nos guiar pelo Espírito Santo. 

1.1.       O Pentecostes

Para isso, começamos por revisitar  passagens bíblicas mais expressivas da realidade e da força do Espírito Santo na vida da Igreja, a começar pelo relato  do Pentecostes, nos Actos dos Apóstolos (2, 1-13). E  prestamos atenção aos seguintes passos  desta passagem:
No dia de Pentecostes encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar.  Os discí­pu­los reunirem-se regularmente foi prática comum desde o início; e no primeiro dia de se­mana, isto é, no domingo, como continua a acontecer nas nossas assem­bleias domi­nicais.
Apareceram os sinais do Espírito Santo – a rajada de vento e as línguas de fogo. Tenha-se em atenção que o vento é linguagem bíblica para designar o Espírito. Por sua vez, o fogo tem a simbologia de aquecer e iluminar. E o mesmo Espírito continua a passar pelo meio de nós, com os seus sinais.
E todos ficaram cheios do Espírito Santo; mais ainda, os apóstolos falavam e, naquele mundo cosmopolita, apesar das línguas diferentes, cada um  os ouvia na sua própria língua. Temos aqui o contrário daquilo que se passou no episódio da Torre de Babel (Gn. 11.1-9) -  à confusão das línguas, por causa do orgulho dos homens, sucede agora a nova linguagem inspirada pelo Espírito Santo que leva ao encontro de pessoas,  povos e culturas. 
A Igreja fica, assim,  a partir do Pentecostes, interpelada para a missão que não tem fronteiras, porque é universal.

1.2.       Carismas e ministérios suscitados pelo Espírito Santo 

O Espírito Santo guia a Igreja também despertando nela os carismas e serviços ou ministérios necessários à vida de cada uma das suas comunidades. 
De facto, como lembra o Apóstolo Paulo na I Carta aos Coríntios (cap. 12, 3-13), o Espírito Santo é a força que faz despertar em cada comunidade os diversos carismas e ministérios, na medida em que distribui a cada um dos fiéis dons diferentes, sempre para serviço do bem comum. O modelo utilizado por Paulo para dizer a acção do Espírito Santo na vida da Igreja e, particularmente em cada uma das suas comunidades, é o do corpo humano animado interiormente por um princípio de vida, que costumamos chamar a alma.
Neste, também há variedade de membros e de operações que cooperam para o mesmo objetivo que é o bem de toda a pessoa, sendo a alma o seu princípio vital. 
É por isso que,  na tradição cristã, se generalizou a ideia de  aplicar ao Espírito Santo a denominação de alma da Igreja,  como a pessoa humana também tem uma alma, que é o princípio dinamizador de todas as suas capacidades e operações.
1.3.O Espírito Santo e o mandato missionário 
O Espírito Santo guia a Igreja também na medida em que preside ao cumprimento do mandato missionário dado por Jesus aos seus discípulos. 
Jesus, entre as muitas surpresas que lhes fez, depois de ressuscitado, no primeiro dia da semana, entrou na casa onde eles se encontravam fechados com medo dos judeus, apresentou-se diante deles e disse-lhes: “Como o Pai me enviou também eu vos envio a vós”.  Depois, soprou sobre eles e continuou a dizer-lhes: “Recebei o Espírito Santo: a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados e a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo.20,19-23).

Também nós queremos sentir que o Espírito Santo é realmente o condutor e o animador de toda a vida da Igreja, e concretamente desta nossa Diocese da Guarda e das  suas comunidades. Todo o esforço de renovação que queremos continuar a fazer só terá resultados se acontecer na abertura de todos nós e nossas comunidades à luz e à força do Espírito Santo.

2.    O que Jesus quer da Sua Igreja

Qualquer programa de renovação das nossas comunidades cristãs tem de partir sem­pre da vontade de Jesus quanto  ao que deve ser a  Sua Igreja.
Ora, nós sabemos que Jesus, pelo testemunho da Sua Palavra, quis expressamente que a missão  recebida do Pai fosse continuada na Igreja que Ele próprio fundou. Por is­so, como Mestre da Fé, preparou  cada um dos discípulos, mas cuidou principal­men­te o Colégio dos Doze, constituindo a Pedro como sua cabeça. 
Esta vontade original de Jesus passou, de facto, à vida e à prática dos primeiros cristãos. Sendo assim, eles organizaram-se em comunidades à volta de cada um dos apóstolos. 
Nunca, porém, como comunidades isoladas, mas vivendo a comunhão entre si mesmas. Daí a proeminência de uma dessas comunidades, aquela que foi presidida por  Pedro e agora o é pelos seus sucessores – a Igreja de Roma. 
Está, assim, justificada a comunhão que deve existir dentro de cada comunidade presidida por um dos apóstolos ou algum dos seus sucessores, mas também a comunhão que,  por vontade de Cristo, tem  de haver entre as distintas comuni­dades ou Igrejas, tendo uma delas a responsabilidade de presidir.

Continuando  ainda a considerar a vontade de Cristo, cada uma das comunidades ou Igrejas presididas por um sucessor dos apóstolos – o Bispo com a sua Diocese – é chamada a cumprir a comunhão e a unidade, feitas da diversidade de carismas e  ministérios que o Espírito Santo hoje continua a fazer despertar pela sua ação permanente na vida dos fiéis e das comunidades. 
Por sua vez, as comunidades localizadas em que se organiza cada Diocese, sejam paróquias ou conjuntos de paróquias presididas pelo mesmo Pároco, hão-de procurar cumprir, o mais possível, a mesma comunhão e unidade que Jesus encomendou a toda a Sua Igreja.
É bom lembrar ainda que, em todos e cada um dos vários âmbitos em que a Igreja fundada por Cristo se expressa – seja nas comunidades paroquiais ou interparoquiais, seja na comunidade diocesana entendida como comunidade de comunidades  (ver Prop. nº 10 do 1º conjunto),  seja no âmbito  da Igreja universal- há a obrigação de cumprir o mandato de Jesus para:
a)Aprender e ensinar o Evangelho (ser assídua ao ensino dos apóstolos);
b)Celebrar o louvor de Deus, principalmente  na fração do Pão (Eucaristia), mas também em outras formas de oração;
c)Praticar a caridade, crescendo na vida comunitária, sob inspiraçãoo do espírito Santo.

Temos aqui o ideal e o modelo da Igreja desejada por Cristo e de que as comunidades das origens nos dão o exemplo. De facto, este tripé aparece-nos, desde a primeira hora, na comunidade modelo de Jerusalém descrita no livro dos Actos dos Apóstolos (2, 42-47 ).

3.    Educar para o espírito e a vontade da renovação 

3.1. Imperativo da renovação

Na medida em que se deixar conduzir pelo Espírito Santo, a Igreja, em todos os níveis da sua vida comunitária, está sempre e necessariamente em renovação.
A renovação que hoje lhe é pedida passa principalmente por três preocupações. 
A primeira delas assenta na formação,  que leva os fiéis a conhecer mais e melhor o Evangelho, mas também os seus destinatários, que são as pessoas e o mundo de hoje. 
A segunda consiste em cuidar a linguagem e as diferentes formas de transmissão da mensagem do Evangelho. 
A terceira pede-nos para revermos constantemente as estruturas e os meios disponíveis, tanto materiais como humanos, usados para cumprimento da missão evangelizadora. 
Ora, sobre esta disponibilidade para a renovação permanente, sempre com o obje­tivo da missão, o Papa  Francisco diz o seguinte: “ A pastoral em chave missionária exige o abandono  deste cómodo critério pastoral – sempre se fez assim. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e o método evangelizadores das respetivas comunidades”  (Ev. G., n.33). De facto, sobre a necessidade de fazermos mudanças na maneira de nos organizarmos  para atingir objetivos  novos que estão a ser pedidos à Igreja  nos tempos de hoje, não podemos querer, com os mesmos procedimentos repetidos à maneira do passado, atingir resultados diferentes. Daí a razão do que nos recomenda o Papa Francisco para rompermos com a mentalidade muito comum de querer fazer hoje como sempre se fez.

3.2. Dimensões da desejada renovação

Claro que as mudanças guiadas pelo Espírito Santo são transversais às várias dimensões da nossa  vida pessoal  e comunitária. 
Assim, a  primeira dimensão que requer mudança é  a maneira de pensar, de olhar a vida da sociedade e procurar compreendê-la. Não é por acaso  que o resumo da mensagem evangélica colocado nos lábios de Jesus começa por recomendar a metanoia  (arrependei-vos e acreditai no Evangelho).
 A mudança no pensar repercute necessariamente na nossa maneira de falar, sabendo nós que, como atrás ficou dito, é preciso cuidar a linguagem com que procuramos transmitir o Evangelho às gentes do nosso tempo. 
 Mas também tem efeito na maneira como os evangelizadores procuram auscultar os verdadeiros anseios das pessoas e responder às perguntas que elas fazem. Lembra-nos, a este propósito, o Papa Francisco: “Nunca se deve responder a perguntas que ninguém se põe” (Ev. G., nº 155). E nós podemos acrescentar: nem a perguntas que foram feitas no passado, mas hoje já ninguém as faz. 
E a maneira como auscultamos as pessoas também tem que mudar ou pelo menos ser o mais cuidada possível. Os decisores na vida da Igreja e também os comunicadores precisam de identificar bem o que decidem e comunicam num verdadeiro processo de discernimento, em que conta a escuta da Palavra de Deus, a oração intensa, mas também a auscultação, o mais alargada possível, das pessoas implicadas  (Prop. nº 3 do 1º conjunto).
O Evangelho pede-nos que cultivemos também a mudança  na maneira de olhar o mundo e as pessoas. Isto de tal maneira que, em vez de assentarmos a nossa compreensão e nos regularmos somente pelos aspetos  exteriores, procuremos compreender o interior das pessoas e mesmo o próprio mundo no que ele é de espelho de Deus, seu criador  e não apenas nos mecanismo regulados por leis cegas. Essa compreensão profunda das pessoas, da sociedade e do próprio mundo ultrapassa as capacidades da inteligência e envolve o íntimo  das nossas pessoas, que costumamos  a traduzir com a palavra coração.
E uma vez mudado a sério o coração, o nosso agir também muda, traduzindo as  atitudes  próprias dos verdadeiros seguidores do Mestre que é Jesus.

Na medida em que nos deixamos trabalhar pelo Espírito Santo, com os seus sete dons, esta mudança plurifacetada,  que é de verdade uma conversão transversal a todas as dimensões da nossa pessoa, vai acontecendo. Assim, o Espírito Santo,  na medida em que aceitamos as suas moções, transforma, em primeiro lugar, a nossa maneira de pensar, oferecendo-nos os dons da Ciência, do Entendimento e da Sabedoria;  trabalha o nosso coração, orientando-nos principalmente nas grandes decisões que temos de tomar e para isso nos concede o dom do Conselho; ajuda-nos a levar à prática as boas decisões e para isso nos dá o dom da Fortaleza. E também nos garante o clima de proximidade, boa relação e segurança, nas opções que precisamos de tomar, muitas delas ao arrepio da mentalidade dominante e, por isso, nos confere os dons da Piedade e do Temor de Deus.

II – Opções pastorais

Para definir os caminhos do nosso trabalho pastoral nos próximos tempos preparámos e realizámos uma assembleia diocesana que agora está em processo de receção. E quisemos que esta assembleia  acontecesse em processo de caminhada sinodal, quer na sua preparação, quer na sua realização, quer agora na sua receção. Entendemos por caminhada sinodal a conjugação dos esforços de todos com  todos à procura dos melhores caminhos para viver a Fé com as suas implicações na nossa vida pessoal e comunitária, para dentro e  para fora da Igreja.
Depois do percurso até agora realizado, recomendamos as opções pastorais seguintes.

1.    Cuidar a vida comunitária nas nossas comunidades

É facto que a vida das nossas comunidades precisa de ser cuidada para elas espelharem o mais possível aquela comunhão que existe no seio de Deus, Trindade Santíssima. (cfr. Prop. 1 e 2 do 1º conjunto) 
Para cuidar da vida destas nossas comunidades precisamos de ministérios – os ministérios ordenados derivados do Sacramento da Ordem administrado aos sacerdotes e diáconos; e os ministérios laicais, assentes no Sacramentos do Batismo e da Confirmação.

1.1.Sobre os ministérios ordenados (cf. Prop. nº4 do 1º conjunto)

 a)Sentimos que é urgente estimular em todos nós sacerdotes e diáconos, mas também nos outros ministérios e nas próprias comunidades o entusiasmo pela promoção das vocações sacerdotais. 
Não temos no nosso Seminário Maior Interdiocesano ainda os seminaristas que precisamos. 
Não temos o Seminário Menor, com candidatos principalmente incluídos na área do Ensino Secundário, que desejamos ter.
E os participantes nas iniciativas do Pré-Seminário são em número muito reduzido. Com apoio da equipa que temos a trabalhar  no Seminário e Pré-Seminário, precisamos de ir mais longe no recrutamento de candidatos para depois se poder realizar a necessária escolha nos processos de discernimento

b) A santificação dos sacerdotes e a procura de uma espiritualidade sacerdotal forte continuam a ser o fator decisivo em qualquer processo de renovação pastoral. Por isso, levei esta intenção para todos os encontros que tive, ao longo deste ano, com cada pároco e seu conjunto pastoral.
E como lembra a proposição nº  4 do 1º conjunto, aos presbíteros é-lhes pedido que,  de acordo com a sua identidade de membros de um  Presbitério, saibam conjugar bem o princípio da jurisdição com o princípio da cooperação.

c)Aos nossos  Diáconos Permanentes pede-se-lhes que, com a criatividade que o exercício deste ministério na vida da Igreja continua a pedir, encontrem, sob orientação do Bispo e com a superintendência do Sacerdote ou Sacerdotes a que se encontram  ligados, os melhores caminhos para exercerem bem, como lembra o Diretório, a Diaconia da Palavra, a Diaconia da Liturgia, a Diaconia da Caridade, a que acrescentamos também a Diaconia da Administração.

1.2.Quanto aos outros ministérios 

a)Pede-se a cada comunidade que, com a condução do Pároco, identifique aqueles que precisa, procure as pessoas indicadas para o seu exercício, lhes faça o devido convite e lhes garanta a formação e o acompanhamento necessários ao bom desempenho da  sua missão. Quer sob a forma de instituição quer de nomeação, sejam devidamente mandatados e credenciados perante as comunidades(cf. prop.7 e 8 do 1º conjunto). 

b)Todos os ministérios – os ordenados e os não ordenados – precisam de viver entre si a comunhão presidida pelo sacerdote para poderem servir bem a comunhão da Igreja.

c)Cuidem-se os movimentos laicais de apostolado, avaliando os que já existem e perspectivando a introdução de outros que se julguem mais adaptados às presentes necessidades pastorais.

1.3. Por sua vez a mesma comunhão que é preciso promover nas relações entre os fiéis da mesma comunidade, precisamos de a promover também nas relações das diferentes comunidades entre si, sobretudo nos conjuntos paroquiais confiados ao mesmo Pároco. Isso implica partilha de ministérios e serviços, nomeadamente serviços de formação, a começar pela formação de formadores e celebrações, inclu­indo a celebração Eucarística Dominical. Isto sem prejuízo  de dar a devida atenção e fazer atendimento a todas as pessoas, a começar por aquelas que,  por razões de limitação de mobilidade, não podem deslocar-se. 
E a nossa Diocese,  como lembra a proposição nº 10 do 1º conjunto, é chamada a ser cada vez mais comunidade de comunidades. Para dar cumprimento à comunhão  entre comunidades, precisamos de implementar  um novo modelo de paroquiali­dade que se concretiza na interajuda com as paróquias mais pequenas ou mais carenciadas de meios, assim como na correspon­sa­bilidade com paróquias que venham a ser confiadas a diáconos  ou mesmo leigos (Proposição nº11 do 1º conjunto). 
Em termos práticos:

a)Desenvolva-se uma pastoral de conjunto (Prop. 12 do 1º conjunto) bem coordenada, que valorize os distintos ministérios, as várias iniciáticas já existentes e introduzindo outras mais ajustadas ao que as pessoas necessitam e que procure  chegar a todos.

b)Nos grandes centros populacionais, desenvolva-se uma “pastoral de cidade” que articule, da melhor maneira, as formações, as celebrações, outras iniciativas das diferentes paróquias implicadas, com a colaboração bem coordenada dos diferentes ministérios.

1.4.Construir comunidades em processo de caminhada sinodal.

Como diz a prop. nº 3 do 1º conjunto, aos decisores pastorais pertence fazerem o discernimento a que estão obrigados com base na Palavra de Deus e na auscultação dos membros do Povo de Deus. Para traduzirmos esta recomendação procuraremos ter  em atenção as seguintes orientações:

a) Cada Pároco deve cuidar o seu conselho pastoral paroquial ou interparoquial ou, pelo menos, a sua equipa pastoral, de tal modo que sejam  o mais repre­sentativos possível do conjunto paroquial que lhe está confiado. 
Procurará  reunir regularmente com algum destes órgãos, para fazer ora­ção e perspetivar  a vida desse  conjunto paroquial, definindo para ele um progra­ma próprio, anual ou mesmo plurianual, acompanhando  a sua aplicação e fazendo no tempo oportuno a necessária revisão.
Tal como recomenda a lei canónica, qualquer destes órgãos deve ser comunicado  à Cúria, para a respectiva homologação.
Procurará desenvolver uma pastoral de acolhimento, com disponi­bilidade para atender as pessoas, em lugares e horários determinados e publici­tados. Esse atendimento deverá ser feito não só pelo mesmo Pároco, mas também e quanto possível por leigos mandatados para o efeito,  quer para serviços de cartório quer para outras finalidades, como a preparação para os sacramentos.

b)No arciprestado haverá o Conselho Pastoral Arciprestal presidido pelo Arcipreste em que tomam  lugar os párocos e os diáconos, onde existem, fazendo-se acompanhar de outros elementos que considerem representativos do seu conjunto paroquial, pertencentes  à sua equipa pastoral ou não. Este conselho reunirá com regularidade, pertencendo-lhe pronunciar-se sobre o programa pastoral adaptado  às diferentes realidades do arciprestado.
A sua constituição será comunicada à Cúria Diocesana para a respectiva homologação.

c) O Conselho Pastoral Diocesano é o órgão presidido pelo Bispo que reúne com regularidade e ao qual pertence pronunciar-se sobre o programa pastoral  da diocese de cada ano ou mesmo conjunto de vários anos e sobre outras questões que as circunstâncias aconselhem  que devem ser tratadas. Toma posse perante o  Bispo para o tempo determinado pelos  seus estatutos.

d) Nestes  órgãos de aconselhamento e decisão  hão-de repousar a definição, a aplicação, o acompanhamento, a revisão dos programas pastorais diocesano, arciprestal e paroquial ou interparoquial.
O Bispo Diocesano conta ainda com a ajuda dos outros conselhos previstos na lei canónica,  que são o Conselho Presbiteral, o Colégio de Consultores e o Conselho Diocesano para os Assuntos Económicos. 

2.    Cuidar a formação da Fé esclarecida e comprometida

A formação da Fé de todos  os fiéis e a todos os níveis tem de ser a nossa grande aposta. O futuro das nossas comunidades depende, em grande medida, do empenho que formos capazes de colocar nos nossos  programas de formação cristã, em ordem a uma  vida de Fé cada vez mais esclarecida e comprometida, tanto na vida interna da Igreja como na vida do mundo, procurando que as realidades temporais se regulem pelos valores humanizantes de inspiração cristã. Neste processo de formação, tendo em conta as proposições da  Assembleia Diocesana sobre o recomendamos azs seguintes iniciativas. 

2.1.A centralidade da Palavra de Deus na nossa vida pessoal e  comunitária

Temos de saber priorizar, nas nossas tarefas e programas, a formação bíblica e o encontro vivo com a Palavra de Deus lida, meditada, partilhada, rezada e aplicada tanto na vida pessoal como das relações comunitárias.
Grupos bíblicos, assembleias de famílias que fazem oração alimentadas pela Palavra de Deus (cfr. Prop. 32 do 3º conjunto), mas também outras formas de “lectio divina”, que podem ser a partilha em grupo da Palavra  que é proclamada em cada assembleia dominical, são bons instrumentos para procurarmos chegar a este en­con­tro vivo e vital com o Senhor presente na Sua Palavra. Recomenda-se a todas as expressões de Igreja na nossa Diocese (paróquias, grupos de paróquias, e outras comunidades, secretariados, serviços e obras de apostolado) que façam aposta séria em viver da Palavra de Deus, fazendo dela a fonte inspiradora e reguladora das suas preocupações e serviços variados. As proposições nºs  1 a  5 do 2º conjunto  para ela chamam a nossa atenção. 
Organizem-se, com regularidade:

a)Jornadas bíblicas, a nível de paróquias, conjuntos de paróquias ou arciprestal.

b)O Dia anual da Bíblia, em cada Paróquia ou conjunto de paróquias, no Arcipres­tado e na Diocese, quanto possível precedido de uma semana, com iniciativas de sensibilização para o mundo da Bíblia. Este dia deverá ser escolhido anualmente e colocado no calendário diocesano.

2.2.A catequese da infância e adolescência 

Este sector  da formação é aquele que se apresenta, nas nossas paróquias e conjuntos de paróquias, como sendo o mais organizado e com maior  volume de participantes e potencialidades.
Por isso, a formação, motivação e acompanhamento dos catequistas há-de ser a nossa grande prioridade. 
Por sua vez, é muito importante o envolvimento dos pais  na catequese dos filhos, quer através das reuniões específicas previstas nos catecismos, quer através da catequese familiar, quer de outras formas, que  podem chegar à constituição e funcionamento da escola paroquial ou interparoquial de pais.
 Também o reduzido número de crianças existentes em muitas paróquias pede ini­ciativas adaptadas à situação, quer constituindo  grupos de catequese transversais  a várias idades, quer convocando as  crianças e adolescentes para sessões de cate­que­ses em lugares determinados com mais visibilidade e centralidade. A definição de formas de atuar nestas situações tem toda a vantagem em ser pensada com ajuda quer da equipa pastoral ligada a  cada Pároco quer do Conselho Pastoral Arciprestal.

2.3.A Evangelização dos  jovens e das famílias.

a)Aos  lugares e paróquias de maior visibilidade pede-se  especial esforço por  constituírem serviços de acolhimento e acompanhamento dos jovens.
Há muitas paróquias, sobretudo as  mais pequenas  que ou não têm jovens ou os têm em  número muito reduzido. Mas também é necessário ir ao encontro deles e preocuparmo-nos com o acolhimento que lhes é devido, quer nas celebrações quer em outras iniciativas paroquiais.
Precisamos de criar em cada arciprestado um serviço organizado de apoio aos jovens,  que passa por propostas de formação e acompanhamento daqueles que vivem mesmo em paróquias e conjuntos de paróquias de dimensão mais reduzida.
Por sua vez o Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil e Vocacional, que inclui o sector de pastoral universitária, há-de procurar dar o seu apoio,  em articulação com os serviços localizados, sobretudo arciprestais. 

b)No  que à evangelização das famílias diz respeito, precisamos que haja pelo menos um casal em cada conjunto da paróquias que, em diálogo com o pároco, procure  conhecer a situação das famílias desse mesmo conjunto, participe  na sua convocação para iniciativas de formação programadas e se interesse por conhecer os casos aos quais pretendemos dar também atenção especial. O Secretariado Diocesano da Família, com a colaboração  destes casais, procurará fazer propostas de formação e acompanhamento ajustadas.
Temos consciência de que precisamos de criar um serviço  organizado de apoio às famílias mais fragilizadas com base nas informações que  formos recolhendo destes contactos de proximidade feitos nas paróquias e conjuntos de paróquias.
Saudamos  a rede de equipas de Nossa Senhora que, por graça de Deus, temos espalhadas pela nossa Diocese e pedimos-lhes que se empenhem  no conhecimento e no apoio às famílias em geral, a começar pelo casais novos e particularmente aqueles que são portadores de maiores fragilidades.

2.4.Que cada uma das nossas comunidades cristãs se transforme em escola de Fé.

Como acima referimos, cada comunidade cristã hoje, na medida da sua fidelidade ao modelo das comunidades apostólicas, é chamada a ser escola de Fé (assídua ao ensino dos apóstolos), mas também escola de oração e para  essa meta precisa de dar passos apoiada pelos  serviços centrais da Diocese. Para isso precisamos:

a)Que a nossa Escola Teológica de Leigos, cuja criação foi muito motivadora para a Diocese, se empenhe em transformar o serviço já existente da formação de candidatos ao Diaconado Permanente em escola regular, que oferece   programas de formação básica nas matérias da Fé e programas específicos de formação de ministérios para os serviços que lhes são pedidos.
Que em cada arciprestado seja criado um núcleo desta mesma Escola de Fé.
E que cada  conjunto de Paróquias se empenhe quer em motivar os seus fiéis  para participarem nos programas de formação organizados a nível diocesano e arciprestal quer em organizar iniciativas próprias de formação,  aproveitando para tal principal­men­te os tempos fortes do Advento e da Quaresma.
No programa formativo:
 Tenha-se em conta também o ensino da Doutrina Social da Igreja que possa habilitar os leigos para exercerem a responsabilidade de intervir na vida da sociedade, em suas vertentes variadas, como são a economia, a política, a acção social, o associativismo ((cfr. Prop. 15 do 1º conjunto).
Haja também o cuidado de programar formação específica, em matérias de Doutrina Social da Igreja, para os responsáveis das IPSS ligadas à Igreja, como também para os seus colaboradores (funcionários e outros)

b)Ao cuidar a transmissão de fé, cuidemos também os nossos órgãos de comunicação social (prop. 17 a 19 do 1º conjunto) e o esforço de melhor relaci­onamento com a comunicação da sociedade civil, procurando que seja também instrumento de evangelização (cfr. Prop. 29-30 do 2º conjunto).
Nesse sentido, estamos já empenhados, com  ajuda de uma empresa da especi­ali­da­de, em reformar o nosso site diocesano, quanto possível com ligação às paróquias.
Só poderemos ter um bom serviço de comunicação com o empenhamento de todos nós.
E, na relação com a comunicação social geral, contamos com a ajuda do nosso Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais.

3.    Cuidar a celebração do louvor de Deus e a espiritualidade de discípulos de Cristo

A formação na Fé  conduz  naturalmente à iniciação nos mistérios  da mesma Fé, o que se costuma designar por mistagogia. E a meta de toda a caminhada cristã é a experiência do mistério de Deus que vem ao nosso encontro na  Pessoa de Cristo, do qual somos discípulos, por força do Batismo. No que à celebração da Fé e à espiritualidade diz respeito, estabelecemos as seguintes prioridades:

3.1.A centralidade do  domingo 

Como vem acontecendo ininterruptamente desde  a primitiva  comunidade cristã,  os discípulos reúnem-se ao domingo,  primeiro dia de semana,  para celebrar a  Eucaristia.  Portanto, nós hoje temos de saber  cuidar a centralidade  do domingo e da Eucaristia (cfr. Prop. 8 a 10 do 3º conjunto). Para isso, como recomenda a nossa  assembleia diocesana:

a) Seja dada   formação ao povo de Deus sobre a importância do domingo e da Eucaristia; 

b)Não se multipliquem excessivamente as missas, pois temos de ter a coragem de nunca sacrificar a qualidade à quantidade;

c)Mas nos lugares e tempos paroquiais onde não for possível celebrar a Eucaristia, valorize-se a Celebração Dominical na Ausência do Presbítero (ADAP). Felizmente que já temos em alguns arciprestados  coordenadores destas assembleias aos quais foi  dada a preparação recomendada e também com o devido mandato e as necessárias credenciais diante da comunidade. Mas temos de continuar o esforço por recrutar e formar pessoas para este serviço, onde ele não existe.

d. Recomenda-se a Liturgia das Horas, como bom complemento da Eucaristia. As co­munidades religiosas, sobretudo ao domingo, são convidadas a rezar pelo me­nos uma das Horas com o Povo, iniciando-o, assim, nesta forma de celebração li­túr­gica.

e. E também outras formas de oração, como a adoração ao SS.mo Sacramento, Terço, Via-Sacra. Assim damos cumprimento à recomendação n º 31 do 3º conjunto.

3.2.O Sacramento da Confissão e o acompanhamento espiritual dos fiéis

Em resposta ao convite da Assembleia Diocesana, vamos empenhar-nos para:

a)Valorizar o Sacramento da Reconciliação ou da Penitência, definindo os espaços e os horários nas nossas comunidades, com essa finalidade e devidamente anunciados (Prop.17 do 3º conjunto). 

b)valorizar o acompanhamento espiritual como bom complemento deste Sacramento. (Prop. 20 do mesmo conjunto). Tradicionalmente, o atendimento  de confissão foi a grande oportunidade aproveitada pelos fiéis, jovens inclusiva­men­te, para se deixarem orientar espiritualmente e também fazerem o seu discernimento vocacional. Hoje pede-se-nos que fixemos tempos determinados, em lugares e horários definidos e devidamente anunciados, para as pessoas nos poderem procurar. 

c)Realizar, com regularidade, celebrações penitenciais, sobretudo nos tempos fortes de Advento e Quaresma, umas vezes acompa­nha­das de atendimento personalizado, com absolvição sacramental, outras vezes não. Estas são sempre forma de educar para o sentido da conversão. Em condi­ções especiais e com a devida autorização do Bispo Diocesano, pode haver absolvição colectiva.

Isto, em cada paróquia ou conjunto de paróquias, mas também nos arciprestados, particularmente nas sedes de concelho, para onde as pessoas caminham por razões múltiplas e variadas.

3.3.Outras ocasiões soberanas para acompanhar espiritualmente as pessoas são:

a) A preparação para os sacramentos, principalmente o Sacramento do Batismo e o Sacramento do Matrimónio, é oportunidade privilegiada para fazer o acompanhamento das pessoas e as podermos orientar espiritualmente, pelo que precisamos de lhe dar a devida atenção, quanto possível com ajuda de equipas de leigos. 
O CPM e o CPB  são instrumentos muito recomendáveis e mesmo neces­sários.

b)as exéquias em que as pessoas vivem especiais situações de dor e fragilidade. 
O contacto com as famílias e a homilia da missa  exequial têm sempre uma importância grande e específica, em momentos especialmente sensíveis, como estes. Tenha-se em particular atenção o que o ritual recomenda para o 1º dos 3 momentos  da celebração das exéquias (a oração na casa do falecido, agora na capela mortuária).

c)As festas religiosas que, algumas vezes, e não poucas, constituem dificuldade, precisamos de as saber aproveitar como oportunidade de evangelização e celebração da Fé. Por isso, na medida do possível, que a festa tenha, se não novena, pelo menos um tríduo de preparação é aconselhável. Responsabilizar os mordomos, quando existem, pelo acompanhamento dos programas e velando pela sua dignidade é outro elemento importante.

d)São igualmente para aproveitar momentos especiais, como aniversários de pessoas e instituições, inaugurações e bênçãos e mesmo tradições mais marcantes dos diferentes lugares.

3.4.Os retiros, através da nossa Diocese, têm uma notável tradição, que precisamos de saber recuperar. É importante, por isso, que em cada  arciprestado, nos tempos fortes de Advento e  Quaresma, mas também em momentos especiais, como sejam as festas da Profissão  de Fé  e do Crisma ou nas proximidades de festas mais significativas, sejam organizados retiros a nível arciprestal, para os quais se convidam as pessoas de todas as paróquias e conjuntos paroquiais desse arciprestado.
Na mesma ordem de preocupações pastorais, são de incentivar e apoiar grupos e movimentos de espiritualidade voltados para o ensino e a prática da oração (cfr. prop. nº 33 do 3º conjunto). Caminharemos, assim, para transformar as nossas comunidades em escolas de oração.

4.    Educar para a responsabilidade missionária

O Papa Francisco inicia  a sua exortação apostólica Evangelii Gaudiumcom o ape­lo à transformação missionária da Igreja, recordando o mandato missioná­rio recebido de Cristo (n.19).
E depois de insistir em que a Igreja,  por natureza e vocação, tem de ser uma Igreja  em saída (n. 20),  diz que a comunhão  na Igreja reveste essencialmente a forma de comunhão missionária e que,  “fiel ao modelo do Mestre, é vital que a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnância e sem medo” (n.23).

A nossa Assembleia desafia-nos a progredir para uma Igreja diocesana, comu­ni­da­de de comunidades, em missão. E concretiza esse apelo convidando-nos a im­plan­tar um novo dinamismo missionário em toda a Diocese, nomeadamente com as seguintes iniciativas:
a)Criando núcleos de dinamização missionária nas paróquias e conjuntos de Paróquias.
b)Fazendo geminação com uma diocese de missão ou espaço territorial específico. Aqui, o que   precisamos é de potenciar o  envolvimento maior da nos­sa  Diocese com a missão D. João de Oliveira Matos, criada em 2012  pela Li­ga dos  Servos de Jesus, em Angola, Diocese do Sumbe, município da Quilenda.
Apesar de dificuldades variadas, sobretudo no que se refere ao funcionamento da escola promovida por esta missão, os contactos com o Bispo Diocesano local e suas estruturas deixam  muita esperança em aberto.
c)Lembrando que a prática do espírito missionário entre nós envolve levar mais a sério a comunhão entre  comunidades com partilha de ministérios e de iniciativas pastorais variadas (cf. Prop. 11, do 1º conjunto).

O Papa Francisco declarou o mês de Outubro de 2019 como mês missionário extraordinário, porque se cumprem 100 anos de existência das Obras Missionárias Pontifícias. E, em breve nota pastoral recentemente publicada, a Conferência Episcopal Portuguesa declara o ano que vai de Outubro de 2018 a Outubro de 2019 como Ano Missionário, apelando a que todos façamos a experiência da missão. (n.9).

Em resposta aos apelos da Assembleia, mas também do Papa Francisco e da nossa Conferência Episcopal, queremos progredir em dois aspetos:

4.1.Promover a criação de núcleos missionários pela Diocese
4.2. Avaliar com a Liga dos Servos de Jesus como é que toda a  nossa Diocese se pode envolver mais  na missão D. João de Oliveira Matos, em Angola.

5.    Responsabilidade da pastoral da caridade organizada.

A Evangelização implica necessariamente o compromisso com os pobres (Prop.31 a 36 do 2º conjunto)
Todas as comunidades cristãs, para cumprirem a sua responsabilidade eclesial total, precisam de dar atenção aos mais carenciados  e terem serviços que detetem  as situações indesejáveis e procurem, com envolvimento de toda a comunidade, dar-lhes as repostas adequadas.

5.1.Sublinha-se a recomendação de serem criadas equipas arciprestais pluridisciplinares para identificar as situações especiais de carência (Prop. 36, do 2º conjunto).
Estas equipas arciprestais devem ser acompanhadas pelos serviços técnicos da nossa Caritas Diocesana e apoiar as paróquias e conjuntos de paróquias na identificação dos casos e procurando as respostas desejáveis e possíveis. 

5.2.Sobre pastoral da saúde nas paróquias, tendo em conta as recomendações feitas  pelas proposições 22 e 23 do 3º con­junto, cada comunidade paroquial ou interparoquial, tomando como pon­to de partida os ministros extraordinários da comunhão, a que é aconselhável agregar outras pessoas, tenha o seu grupo  de apoio aos doentes.
Cumpre-lhe identificar situações antes do Hospital, acompanhar no Hospital em contacto com o capelão e acompanhar  no regresso do Hospital. Pertence-lhe também preparar os doentes para o Sacramento  da Santa Unção.

Com a graça de  Deus e a proteção de Maria  Santíssima, sentimo-nos moti­vados para avançar com a recepção desta nossa Assembleia Diocesana.

Nota 1: Na elaboração desta carta foram tidos em conta os encontros realizados, ao longo deste ano pastoral, com  cada Pároco e seu conjunto paroquial e também sete pareceres escritos que me chegaram.
Nota 2: Para responder à proposição nº 20 do 1º conjunto,  há uma equipa man­datada para pensar a reorganização pastoral da Diocese, que oportu­namente apresentará o resultado dos seu trabalho.
 Entretanto, queremos, desde já, responder às orientações pastorais propos­tas nesta carta.

Guarda, 2 de Junho  de 2018


+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda